Clériston Santos
O mais corajoso, pede desculpas. O mais forte, perdoa. O maiz feliz, esquece.
Textos
DEMÊNCIA ALZHEIMER 🟡㊻
Minha mãe está com 92 anos e, infelizmente, está sofrendo de demência-Alzheimer. Eu nem sabia que existia essa associação de doenças para assustar a gente.

  Ela já está quase totalmente senil. Sua memória não dura mais que cinco minutos, portanto, não dá para contar uma história para ela, ainda que seja curtinha, porque ela esquece o início e não consegue compreender.

  Às vezes ela dá uma viajada, volta no tempo e passa a falar daquele tempo de trinta, quarenta anos atrás como se estivesse vivendo aquele momento. É muito triste ver alguém que a gente ama nessa situação.

  Outro dia, eu estava sentado ao lado dela e vi que ela deu uma “viajada”, virou para mim e perguntou:

  — Você tem mãe?

  Respondi que sim. Ela se deu por satisfeita e voltou para o mundo dela. Nesse momento eu disse:

  — Eu tenho mãe, mas não gosto dela.

  — Ô, moço, isso não está certo. Você tem que gostar da sua mãe.

  Eu, rindo e olhando para ela, disse:

  — A senhora é a minha mãe.

  — Eu? — ela respondeu, me olhando meio desconfiada.

  — Sim — respondi.

  Ela ficou muito feliz, pediu que eu lhe desse um abraço, chamou a Sarah que estava por perto e disse:

  — Olha só, ele é meu filho, eu não sabia. Venha aqui me dar um abraço também.

  Depois dos abraços, ela ficou desconfiada.

  — Como é o nome da sua mãe? — perguntou, com cara de “você não me engana”. — É Joana?

  — Não, mãe. Joana é a sua mãe. A minha mãe é a senhora.

  Ela olhou bem desconfiada e ficou tentando entender o mistério de alguém ter mãe e não ser Joana, a mãe dela.

  Campinas, 5 de maio de 2025
Clériston Santos
Enviado por Clériston Santos em 14/02/2026
Alterado em 08/03/2026
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