
HISTÓRIAS DE JESUS — CANÇÕES E REFLEXÕES
Uma série de canções inspiradas nas histórias,
parábolas e ensinamentos de Jesus. Cada música procura transformar uma passagem dos Evangelhos em narrativa musical, acompanhada de uma breve crônica e de notas sobre sua origem.
A MULHER ADÚLTERA
CRÔNICA
AS PEDRAS QUE CARREGAMOS
Não sabemos seu nome. A História não o guardou. Sabemos apenas o pecado que lhe atribuíram e o castigo que lhe preparavam.
Fora pega em adultério e o castigo era a morte por apedrejamento.
Estava cercada.
Homens tinham pedras nas mãos. Alguns talvez estivessem indignados. Outros, apenas curiosos. Havia também os que estavam ali por um motivo diferente: usar aquela mulher para colocar Jesus à prova.
Para eles, talvez ela já não fosse uma pessoa.
Era um caso. Uma acusação. Uma armadilha.
Mas para ela, era o fim.
Então Jesus disse:
“Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.”
Não houve gritos. Não houve luta.
Apenas pedras caindo.
Uma a uma.
E os acusadores indo embora.
Primeiro os mais velhos. Depois os outros.
Até que restaram apenas Jesus e a mulher.
Ele poderia tê-la condenado. Não condenou.
Também não fingiu que nada havia acontecido.
Mandou que ela seguisse adiante e não voltasse a pecar.
Mas a história, para mim, não termina ali.
Porque é fácil enxergar as pedras nas mãos daqueles homens. Difícil é perceber as que carregamos nas nossas.
Nossas pedras muitas vezes são palavras.
Contra o pai que nos decepcionou. Contra os f

HISTÓRIAS DE JESUS — CANÇÕES E REFLEXÕES
CALMA... CALMA... CALMA...
A CRÔNICA
A TEMPESTADE
Jesus estava dormindo.
O barco seguia pelo lago quando o tempo mudou. O vento começou a soprar com força, as águas se agitaram e, em pouco tempo, a tempestade tomou conta de tudo.
Os homens ficaram assustados.
As ondas batiam contra o barco, a água entrava, o vento parecia querer arrancá-los dali. O medo aumentava a cada instante.
Enquanto isso, Jesus continuava dormindo.
Até que alguém o chamou.
— Mestre, vamos morrer!
Jesus acordou.
Levantou-se e encontrou diante de si homens desesperados, um barco em perigo e uma natureza que parecia ter enlouquecido.
Céu, vento e mar estavam em confusão.
Ele não se desesperou.
Não correu de um lado para outro. Não entrou na agitação dos homens. Apenas se levantou e ficou diante daquela tempestade.
Então parou por um instante.
Um instante que, para aqueles que estavam ali, pareceu não terminar.
Todos o observavam.
E Jesus, sereno, aproximou-se do mar.
Levantou os braços.
Talvez tenha sido apenas um gesto.
Talvez tenha havido palavras.
Talvez tenha existido ali uma forma de comunicação que aqueles homens não saberiam explicar. Como se Jesus estivesse em uma sintonia que eles não conseguiam perceber, mas que a própria natureza parecia compreender.
O que sabemos é que, depois daquele momento, tudo começou a mudar.
A chuva foi diminuindo.
(há uma limitação de tamanho aqui no Recanto. No youtube tem o texto completo.)

HISTÓRIAS DE JESUS — CANÇÕES E REFLEXÕES
Uma série de canções inspiradas nas histórias,
parábolas e ensinamentos de Jesus. Cada música procura transformar uma passagem dos Evangelhos em narrativa musical, acompanhada de uma breve crônica e de notas sobre sua origem.
A MULHER ADÚLTERA
CRÔNICA
AS PEDRAS QUE CARREGAMOS
Não sabemos seu nome. A História não o guardou. Sabemos apenas o pecado que lhe atribuíram e o castigo que lhe preparavam.
Fora pega em adultério e o castigo era a morte por apedrejamento.
Estava cercada.
Homens tinham pedras nas mãos. Alguns talvez estivessem indignados. Outros, apenas curiosos. Havia também os que estavam ali por um motivo diferente: usar aquela mulher para colocar Jesus à prova.
Para eles, talvez ela já não fosse uma pessoa.
Era um caso. Uma acusação. Uma armadilha.
Mas para ela, era o fim.
Então Jesus disse:
“Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.”
Não houve gritos. Não houve luta.
Apenas pedras caindo.
Uma a uma.
E os acusadores indo embora.
Primeiro os mais velhos. Depois os outros.
Até que restaram apenas Jesus e a mulher.
Ele poderia tê-la condenado. Não condenou.
Também não fingiu que nada havia acontecido.
Mandou que ela seguisse adiante e não voltasse a pecar.
Mas a história, para mim, não termina ali.
Porque é fácil enxergar as pedras nas mãos daqueles homens. Difícil é perceber as que carregamos nas nossas.
Nossas pedras muitas vezes são palavras.
Contra o pai que nos decepcionou. Contra os

HISTÓRIAS DE JESUS — CANÇÕES E REFLEXÕES
Uma série de canções inspiradas nas histórias,
parábolas e ensinamentos de Jesus. Cada música procura transformar uma passagem
dos Evangelhos em narrativa musical, acompanhada de uma breve crônica e de
notas sobre sua origem.
JESUS NOS ESTENDE A MÃO
CRÔNICA
QUANDO OS REMOS PESAM
A noite estava escura.
O vento tinha se levantado e o mar, que talvez começara tranquilo, agora se tornava uma ameaça.
Os homens remavam.
E remavam.
Mas parecia que o esforço não era suficiente. Cada onda levava um pouco daquilo que haviam conseguido avançar.
Então, entre os relâmpagos, viram uma figura sobre o mar.
O medo foi maior do que a compreensão.
Só depois perceberam que era Jesus.
Pedro fez então um pedido que poucos fariam.
— Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro.
E Jesus respondeu apenas:
— Venha.
Pedro saiu do barco.
Durante alguns instantes, fez aquilo que nenhum homem poderia fazer.
Caminhou sobre as águas.
Mas então olhou para o vento.
Para as ondas.
Para tudo o que estava à sua volta.
E começou a afundar.
Talvez seja essa a parte da história em que mais facilmente nos reconhecemos.
Há momentos em que conseguimos caminhar.
Mesmo sem saber exatamente como.
Confiamos. Avançamos. Sentimos que podemos vencer aquilo que antes parecia impossível.
Até que alguma coisa muda.
O vento aumenta.
A tempestade fica maior.
E voltamos a olhar para aquilo que nos ameaça.
É difícil manter os olhos naquilo que nos dá esperança

HISTÓRIAS DE JESUS — CANÇÕES E REFLEXÕES
JESUS SEMEOU A PALAVRA
A CRÔNICA
A SEMENTE
Eu já tinha ouvido aquela história antes.
Não exatamente aquela história, mas histórias sobre sementes, plantações, colheitas. Faziam parte da vida de todos nós. Quem vivia naquela região sabia que uma semente precisava de terra, água e tempo. Sabia também que nem toda semente chegaria a virar planta.
Naquele dia, porém, Jesus começou a falar de um semeador.
Ele saiu para semear. Enquanto lançava as sementes, algumas caíram à beira do caminho. Vieram as aves e as comeram.
Outras caíram onde havia pouca terra e muitas pedras. Brotaram depressa, mas, quando veio o sol, secaram, porque não tinham raízes profundas.
Outras caíram entre espinhos. Cresceram junto com eles, mas os espinhos acabaram sufocando as plantas.
Mas algumas caíram em boa terra. Essas cresceram e produziram fruto.
A história era simples. Talvez simples demais para quem estivesse apenas ouvindo.
Mas Jesus não estava falando apenas de sementes.
Mais tarde, quando explicou a parábola aos discípulos, ficou claro que aquela semente era a Palavra.
E então a história deixou de ser apenas sobre um campo.
Passou a ser sobre nós.
Há aqueles que ouvem a Palavra, mas não a compreendem. Há outros que a recebem com alegria, mas não têm raiz e, diante das dificuldades, acabam abandonando aquilo que receberam. Há ainda aqueles que ouvem a Palavra, mas permitem que as preocupações da vida, a sedução das riquezas e outros dese

HISTÓRIAS DE JESUS — CANÇÕES E REFLEXÕES
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parábolas e ensinamentos de Jesus. Cada música procura transformar uma passagem
dos Evangelhos em narrativa musical, acompanhada de uma breve crônica e de
notas sobre sua origem.
A PESCA MILAGROSA
CRÔNICA
LANCE AS REDES OUTRA VEZ
A noite tinha terminado.
E não tinha terminado bem.
Pedro e seus companheiros conheciam aquele mar. Sabiam onde lançar as redes, conheciam o trabalho, o horário e os sinais da pesca.
Mesmo assim, naquela noite, não pegaram nada.
Depois de horas trabalhando, as redes voltaram vazias.
Chegava a hora de parar.
Não era falta de vontade. Não era preguiça. Eles tinham tentado.
Mas havia noites em que nada dava certo.
Então Jesus se aproximou.
Depois de falar ao povo, disse a Pedro que levasse o barco novamente e lançasse as redes.
Era estranho.
A noite, tempo mais favorável à pesca, já tinha passado. Agora amanhecia. Eles já tinham tentado e falhado.
Pedro poderia ter respondido que conhecia o mar melhor do que Jesus.
Poderia ter dito que as redes já estavam limpas.
Que era tarde demais.
Que não fazia sentido.
Mas decidiu tentar outra vez.
Não porque entendesse.
Porque confiou.
As redes voltaram ao mar.
E voltaram tão cheias que quase não conseguiram puxá-las.
Às vezes, também chegamos ao amanhecer com as redes vazias.
Tentamos.
Insistimos.
Fazemos o que sabemos fazer.
E nada acontece.
É nesse momento que surge a vontade de guardar as rede

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O BOM SAMARITANO
CRÔNICA
FOI QUEM EU JULGUEI MAL
Ele estava caído na estrada.
Tinha sido roubado, espancado e abandonado.
Não sabemos quanto tempo ficou ali. Talvez já estivesse perdendo as forças quando viu alguém se aproximar.
Era um sacerdote.
Naquele instante, deve ter sentido alívio.
Finalmente alguém.
Um homem de Deus. Alguém que certamente pararia.
Mas o sacerdote passou.
Depois apareceu outro homem.
Um levita.
Outra esperança.
Outra decepção.
Também passou adiante.
Depois de algum tempo, já não devia esperar muita coisa. Ferido, sozinho e abandonado, talvez tivesse começado a aceitar que morreria ali.
Foi então que viu um samaritano.
E, curiosamente, sentiu medo.
Não era alguém de quem esperasse ajuda.
Muito pelo contrário.
Entre judeus e samaritanos havia uma história antiga de desconfianças e hostilidades. Para aquele homem caído na estrada, talvez a chegada de um samaritano parecesse apenas mais um problema.
Ele se encolheu.
Mas o samaritano parou.
Cuidou das feridas.
Colocou-o sobre seu próprio animal.
Levou-o para um lugar seguro.
Pagou para que continuassem cuidando dele.
A parábola poderia terminar aí.
Já seria uma bela história sobre ajudar alguém.
Mas Jesus faz

HISTÓRIAS DE JESUS - CANÇÕES E REFLEXÕES
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CRÔNICA
AS CAPAS QUE A GENTE CARREGA
Bartimeu estava à beira do caminho.
Não sabemos há quanto tempo.
Talvez já estivesse acostumado aos passos das pessoas , às vozes que vinham e desapareciam, ao movimento de um mundo que ele não podia enxergar.
Era cego e muito pobre. Dependia da ajuda dos outros para sobreviver.
Sua capa talvez fosse uma das poucas coisas que realmente possuía.
Servia para protegê-lo do frio, da noite, da poeira. Era seu abrigo e sua proteção contra o mundo.
Então ele ouviu uma multidão.
Perguntou o que estava acontecendo.
Disseram-lhe que Jesus passava por ali.
E Bartimeu começou a gritar.
Não pediu licença.
Não esperou sua vez.
Gritou.
"Jesus, Filho de Davi, tenha compaixão de mim!"
Mandaram que se calasse.
Imagino que muitos ficaram incomodados. Um mendigo cego, à beira da estrada, interrompendo a passagem de uma multidão.
Mas Bartimeu não se calou.
Gritou ainda mais alto.
Até que Jesus o ouviu.
E então acontece um dos detalhes mais bonitos da história.
Bartimeu deixa a capa.
Levanta-se e vai até Jesus.
Não sei o que passou por sua cabeça naquele instante. Mas gosto de imaginar que ele já acreditava que não precisaria mais dela.
Aquela capa tinha sido sua proteçã

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Uma série de canções inspiradas nas histórias, parábolas e ensinamentos de Jesus. Cada música procura transformar uma passagem dos Evangelhos em narrativa musical, acompanhada de uma breve crônica e de notas sobre sua origem
CRÔNICA
A HERANÇA QUE NÃO SE PERDE
Durante muito tempo, ele deve ter ensaiado aquele encontro.
Enquanto caminhava de volta, talvez repetisse as palavras que diria ao pai. Pensava na porta da casa, no rosto que encontraria, na reação dos irmãos, dos empregados, dos vizinhos.
E pensava, sobretudo, no pai.
Não voltava para recuperar o que havia perdido. Sabia que não tinha mais direito a nada.
A herança já tinha acabado.
Ele mesmo a havia pedido antes da hora. Pegou o que recebeu, partiu e viveu como quis. Durante algum tempo, talvez tenha acreditado que finalmente era dono da própria vida.
Até que o dinheiro terminou.
Os amigos desapareceram.
A liberdade ficou menos interessante quando chegou a fome.
Foi parar entre os porcos e, naquele ponto, começou a enxergar a própria vida com uma clareza que não tivera enquanto tudo ia bem.
Às vezes é preciso perder quase tudo para perceber o que realmente tínhamos.
Ele não decidiu voltar porque esperava uma festa.
Queria apenas sobreviver.
Pensou que, se o pai permitisse, poderia trabalhar como um empregado. Não voltava exigindo seu lugar de filho. Voltava disposto a aceitar o último lugar da casa.
Mas o pai o viu antes que ele chegasse.
E isso muda toda

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O SERMÃO DA MONTANHA
A CRÔNICA
AQUELE QUE FOI OUVIR
Eu não queria ir.
Até hoje não sei exatamente por que fui. Talvez porque todos falassem daquele homem. Naqueles dias, parecia impossível andar pelas ruas sem ouvir alguém mencionar seu nome.
Jesus.
Uns diziam que ele curava. Outros, que fazia milagres. Havia quem o chamasse de profeta. Alguns não gostavam nada dele e já começavam a dizer que era perigoso.
Eu não sabia o que pensar.
Mas, de tanto ouvir falar, acabei indo.
Quando chegamos ao pé da montanha, havia gente por toda parte. Homens, mulheres, velhos e crianças. Alguns tinham caminhado muito para estar ali. Quase não encontramos um lugar onde ficar.
Jesus estava mais acima.
Não sei explicar o que senti quando o vi. Nem tinha dito uma palavra ainda, mas havia alguma coisa em seu olhar, em sua presença, que fazia a gente prestar atenção.
Então ele começou a falar.
No início, pensei que ouviria mais um discurso sobre Deus, daqueles que conhecíamos desde pequenos. Mas logo percebi que não.
Ele falava dos humildes. Dos que choram. Dos mansos. Dos que têm fome e sede de justiça.
Depois vieram palavras que me deixaram desconcertado.
Se alguém bater em você, ofereça a outra face.
Perdoe.
Ame até os inimigos.