MISTÉRIOS 🟡㊵
O ser humano sempre conviveu com os mistérios. Na Antiguidade, temia trovões, tempestades, eclipses, acreditando serem sinais de espíritos zangados. Com o tempo, a ciência resolveu muitos deles e criou outros tantos: os da própria ciência.
Quem, entre os mortais não formados em astrofísica ou algo parecido, consegue explicar a eletrônica, o voo dos aviões ou o desaparecimento do dinheiro antes do fim do mês?
Mas se a humanidade em geral enfrenta mistérios, o homem — o macho da espécie — lida com alguns particulares, quase sempre vindos das mulheres.
Por que dizem “talvez” quando querem dizer sim?
Por que dizem “quem sabe” quando querem dizer não?
E, meu Deus, por que vão sempre em duas ao banheiro?
Mistérios insolúveis.
Outro dia me deparei com mais um. Minha cunhada afirmou que jamais compraria um carro vermelho arreganhado. Sem a menor ideia do que isso significava, procurei em dicionários, enciclopédias e até na internet. Nada.
O computador, aliás, travou. Deve ser do sexo masculino.
Recorri então à minha mulher:
— Neguinha, o que é vermelho arreganhado?
— É um vermelho aberto.
Fiz cara de quem entendeu.
— É um vermelho que quer ser muito vermelho — explicou.
— Claro, claro…
Percebendo minha confusão, ela se irritou.
Resolvi encerrar:
— Então é um vermelho não fechado.
Foi o fim.
Ela disse que eu não prestava atenção, que não tinha sensibilidade e que nunca lhe dei valor na vida.
Conclusão: há três dias dorme de calça jeans, e eu sigo sem saber o que é vermelho arreganhado.
Outro mistério.
Janeiro de 2002
Clériston Santos
Enviado por Clériston Santos em 14/02/2026
Alterado em 07/03/2026